Páginas

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Facebook: um Doce Engano

Olá, meus queridos leitores!

Após alguns anos como usuária e analista de mídias sociais, além dessa minha mania de observar as pessoas no dia a dia, resolvi escrever aqui sobre o Facebook. Essa semana, aconteceram três eventos isolados, sobre os quais será inevitável não comentar.


Há cerca de 3 dias, uma colega me chama no talker do facebook e me fala: “Manu, eu não acredito que a Fulana tá namorando, meu! Com pode ela namorando e eu sozinha? E o cara ainda é gringo e rico!”

Mais adiante, no mesmo dia, atualizo minha timeline e vejo o post de outra amiga de facebook, reclamando que havia recebido uma intimação e postando a foto da dita cuja, com seu endereço completo exposto, em sinal de protesto.

Por fim, de ontem pra hoje, recebo uma mensagem de um colega, indignado, porque foi ameaçado pelo namorado de uma amiga em comum, pelo simples fato de ter dado parabéns a ela e chamado de meu amor, ou algo parecido. Tudo bem que eles já tiveram um chameguinho no passado, mas é passado e hoje eles são bons amigos, até onde eu sei.

Além disso, surpreendi a mim mesma olhando compulsivamente determinados perfis de facebook e tentando tirar conclusões sobre essa ou aquela postagem "suspeita"... (sim, isso revela um alto índice de paranoia, presente em quase todas as mulheres, mas que também tem crescido nos homens que acessam o facebook).



Diante desse cenário, durante um breve momento de lucidez, estava eu, com o facebook aberto no navegador e me perguntando: peraí! o que eu tô fazendo aqui? o que eu ganho acessando isso aqui o dia todo? ficando online e disponível 24h por dia? 

Então eu concluí que o facebook pode ser comparado a uma novela, ou minisérie, ou mesmo a uma vitrine de grife.

A essa altura do post, você deve estar pensando: agora a Manuella pirou de vez! O que ela quer dizer com todas essas metáforas?

E eu respondo, meu caro faceleitor, eu não estou maluca (não mais que o habitual), mas acho que passei por um choque de realidade, depois de algumas mensagens visualizadas e não lidas (sim, agora se você lê a mensagem e não quer responder, o facebook te dedura) e depois de ouvir alguém fazer o seguinte comentário na rua: "ahhhh, eu falo com ele a hora que eu quiser! ele está online no facebook o dia todo... não tem pressa!".

Concluí, portanto que o facebook, assim como a grande maioria das redes sociais, é uma vitrine, pois é o lugar onde as pessoas vendem uma felicidade que só fica boa no manequim. Quando você quer usar, ela nunca serve. Sendo assim, como nas novelas, nos filmes e nos shows de talentos, o facebook deveria vir com aquele anúncio de "não tente fazer isso em casa", pois o que parece muito fácil de ter e/ou fazer vai acabar te machucando se você tentar reproduzir na vida real.

O mais incrível é que, por trás de tantos sorrisos e de tantas belezas postados em álbuns e, claro, filtrados pelo instagram, photoshop, entre outros programinhas que deixam a vida de qualquer um mais colorida (virtualmente), existem sentimentos de verdade, pessoas de verdade, que se torturam dia após dia, querendo a vida perfeita, igualzinha àquelas expostas com tanto entusiasmo pelos outros no facebook. Pensando nisso, olhei pra mim mesma e percebi que estava reproduzindo o mesmo comportamento, senti pena de mim!

Então olhei para minha amiga, que constatava sua solidão, após ver que a colega mudou de status de relacionamento e pensei quantas pessoas em casa não estariam chorando pelo mesmo motivo agora, querendo que sua vida parecesse tão perfeita quanto a da amiga que namora e anuncia no facebook.

Reli a mensagem de ameaça que meu amigo recebeu e pensei que, se não houvesse facebook, ele teria ligado pra desejar os parabéns pra amiga e teria dito "eu te amo" só pra ela ouvir, sem nenhum namorado fuçar seus recados pessoais.

Olhei para o endereço da outra menina publicado numa foto e pensei: meu Deus, ela pode ser sequestrada, receber trotes, ou ter seu endereço clonado por alguma empresa fantasma.

Senti pena... pena do rumo que as coisas estão tomando e do ser humano que, desde que o mundo é mundo, precisa mesmo de algum artifício para se enganar, porque não é forte o suficiente para ver a realidade refletida no espelho.

OBS.: Este texto é uma obra de reflexão. Não vou deixar de acessar o facebook, até porque divulgo meus posts nele. Mas venho tentando não me deixar levar pelo bonito, que agora já me parece feio, postado nas redes sociais.

2 comentários:

  1. Também achava que muitas das frases lindas colocadas no face não representavam a personalidade intríseca verdadeira dos seus respectivos postadores, mas enfim o face também tá pra isso: um doce engano, uma ilusão bem original. Adorei esse seu mais novo post! Bjs Manuella.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. POis é, menina. Minha grande preocupação com o face é quando ele começa a ficar patológico. É perigoso... Já vi gente chorar por ter interpretado um post de mal jeito! Imagina se resolvermos deprimir e achar que temos a pior vida do mundo, cada vez que alguém posta uma foto viajando, namorando... estamos fadadas à morte (de desgosto)! rsrsrs... Valeu, Patrícia! =)

      Excluir