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segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Valor do Proletariado

A crônica de hoje é destinada, especialmente, às meninas. Mas menino que é esperto, lê!

Há cerca de 10 anos, quando ainda fazia faculdade de marketing, durante uma aula de comunicação, um professor comentava sobre a importância de elogiar, citando o exemplo da mulher e de como um elogio, uma cantada, pode fazer bem para o espécime do sexo feminino. Eis que uma alma inspirada da turma, cujo bom gosto estético era algo bem duvidoso, porém a boa alma indiscutível, solta a seguinte afirmação: “é verdade, professor. Que mulher não gosta quando passa em frente a uma obra e escuta um ‘gostoooooooooosa’ do pedreiro?”. Não preciso dizer que, pelo menos, metade da sala reagiu negativamente à manifestação espontânea e cheia de sinceridade da colega.

Hoje, após um divertido flerte com um garçom gatinho no bar da esquina, esse caso me veio à mente e me fez repensar a utilidade do proletariado para a auto-estima da mulher.




A maioria de nós, mocinhas de boa formação, criadas para sermos mulheres de família, respeitáveis e bem sucedidas, aprende a não dar trela para cantadas baratas proferidas pelo proletariado (leia-se: pedreiros, garçons, motoristas, seguranças, entre outras profissões tidas como “de baixo escalão” pela sociedade). Diga-se de passagem, acho isso uma baita hipocrisia, pois motoristas, pedreiros, mecânicos, garçons e afins são homens tanto quanto os outros, possuem sentimentos e capacidade de amar e respeitar, às vezes, maiores que muita gente de posses! Além do mais, sempre correu à boca pequena que dondocas, madames e rainhas, desde que o mundo é mundo, saciaram seus desejos mais profundos e lascivos com fiéis “membros” da classe trabalhadora.

Mas não vem ao caso discutir aqui se é devido ou não namorar, casar, ser amante, ou dar uma puladinha de cerca casual com um tipo popular. A questão é que, hoje, do alto dos meus 27 anos, sou capaz de entender a afirmação da colega de faculdade, que foi tachada de tarada por tantos anos. Desarmada dos preconceitos que costumamos carregar por toda vida, pensei: não é que faz mesmo bem passar pela frente da obra e ouvir, nem que seja baixinho, um “gostosa”? Sabe por quê? Independentemente da capacidade econômica e/ou intelectual do ser humano que solta um comentário desses, uma coisa não muda: você é maravilhosa, aos olhos de quem quer que seja. Além do mais, bom gosto não depende de grana, ou de uma carinha bonitinha. Vide as mulheres ricas, cujas roupas e atitudes, muitas vezes, me provocam uma vergonha alheia infinita!

E você pode me dizer: isso é coisa de mulher mal amada, que se contenta com pouco! Eu vou te dizer que não! Isso é coisa de ser humano, ainda mais de mulher, que adora receber um afago, um elogio, ou um reconhecimento por aquela saia mais curta do domingo à tarde.
Sendo assim, meninas, larguem esse preconceito bobo de lado e se deixem elogiar. Quando passar pela banca de revista e o jornaleiro tiozinho soltar aquele “noooossa!”, sinta-se lisonjeada. Siga o seguinte raciocínio: ele é tiozinho hoje, mas já foi o gostosão da rua um dia e, melhor ainda, está ali na rua, todos os dias, vendo milhares de mulheres passarem, de tipos e belezas diversos. Ou seja, ele tem um baita parâmetro de comparação e você foi uma das escolhidas pra ganhar o sonoro e desaforado “noooossa” dele!
Não gosta de dar bola pra qualquer um? Nem eu! (independente de classe social). Então, faz o seguinte: finge que não ouviu, espera passar por ele, dá um sorriso só pra você, infla o ego e segue! Mal não há de te fazer. Garanto!

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