Há cerca de 10 anos, quando ainda
fazia faculdade de marketing, durante uma aula de comunicação, um professor
comentava sobre a importância de elogiar, citando o exemplo da mulher e de como
um elogio, uma cantada, pode fazer bem para o espécime do sexo feminino. Eis
que uma alma inspirada da turma, cujo bom gosto estético era algo bem duvidoso,
porém a boa alma indiscutível, solta a seguinte afirmação: “é verdade,
professor. Que mulher não gosta quando passa em frente a uma obra e escuta um ‘gostoooooooooosa’
do pedreiro?”. Não preciso dizer que, pelo menos, metade da sala reagiu negativamente
à manifestação espontânea e cheia de sinceridade da colega.
Hoje, após um divertido flerte
com um garçom gatinho no bar da esquina, esse caso me veio à mente e me fez
repensar a utilidade do proletariado para a auto-estima da mulher.
A maioria de nós, mocinhas de boa
formação, criadas para sermos mulheres de família, respeitáveis e bem
sucedidas, aprende a não dar trela para cantadas baratas proferidas pelo proletariado
(leia-se: pedreiros, garçons, motoristas, seguranças, entre outras profissões
tidas como “de baixo escalão” pela sociedade). Diga-se de passagem, acho isso
uma baita hipocrisia, pois motoristas, pedreiros, mecânicos, garçons e afins
são homens tanto quanto os outros, possuem sentimentos e capacidade de amar e
respeitar, às vezes, maiores que muita gente de posses! Além do mais, sempre
correu à boca pequena que dondocas, madames e rainhas, desde que o mundo é
mundo, saciaram seus desejos mais profundos e lascivos com fiéis “membros” da
classe trabalhadora.
Mas não vem ao caso discutir aqui
se é devido ou não namorar, casar, ser amante, ou dar uma puladinha de cerca
casual com um tipo popular. A questão é que, hoje, do alto dos meus 27 anos, sou
capaz de entender a afirmação da colega de faculdade, que foi tachada de tarada
por tantos anos. Desarmada dos preconceitos que costumamos carregar por toda
vida, pensei: não é que faz mesmo bem passar pela frente da obra e ouvir, nem
que seja baixinho, um “gostosa”? Sabe por quê? Independentemente da capacidade
econômica e/ou intelectual do ser humano que solta um comentário desses, uma
coisa não muda: você é maravilhosa, aos olhos de quem quer que seja. Além do
mais, bom gosto não depende de grana, ou de uma carinha bonitinha. Vide as mulheres
ricas, cujas roupas e atitudes, muitas vezes, me provocam uma vergonha alheia
infinita!
E você pode me dizer: isso é
coisa de mulher mal amada, que se contenta com pouco! Eu vou te dizer que não!
Isso é coisa de ser humano, ainda mais de mulher, que adora receber um afago,
um elogio, ou um reconhecimento por aquela saia mais curta do domingo à tarde.
Sendo assim, meninas, larguem
esse preconceito bobo de lado e se deixem elogiar. Quando passar pela banca de
revista e o jornaleiro tiozinho soltar aquele “noooossa!”, sinta-se lisonjeada.
Siga o seguinte raciocínio: ele é tiozinho hoje, mas já foi o gostosão da rua
um dia e, melhor ainda, está ali na rua, todos os dias, vendo milhares de mulheres
passarem, de tipos e belezas diversos. Ou seja, ele tem um baita parâmetro de
comparação e você foi uma das escolhidas pra ganhar o sonoro e desaforado “noooossa”
dele!
Não gosta de dar bola pra qualquer um? Nem eu!
(independente de classe social). Então, faz o seguinte: finge que não ouviu,
espera passar por ele, dá um sorriso só pra você, infla o ego e segue! Mal não
há de te fazer. Garanto!


Nenhum comentário:
Postar um comentário